Ama de leite, mãe preta de aluguel, era um ofício no Brasil escravocrata, de antes e de depois da Abolição. Anúncios nos jornais de papel procuravam: “Preta, com muito bom leite, prendada e carinhosa”. Negras que alimentavam o corpo e alma dos bebês brancos.
As amas-de-leite eram selecionadas entre as que também tinham filhos pequenos, de modo que passavam a dividir seu leite entre o filho natural e a criança a seu cuidado.
De acordo com a historiadora, a atuação de amas de leite é antiga. Presente na metrópole portuguesa, a prática foi trazida para o Brasil no período colonial. Nessa época, mulheres escravizadas grávidas e paridas eram alugadas gerando renda aos senhores.
As amas de leite são um ofício quase tão antigo como as sociedades humanas, na medida em que desde muito cedo houve a necessidade de amamentar filhos alheios, quer por impedimento biológico ou por questões sociais, entre outras possíveis razões.
”A princípio, a ama foi identifica- da como uma forma de suprir os dese- jos ou necessidades de mães que se opunham ao aleitamento ou estavam impedidas de realizá-lo.
Ama de leite é a mulher que amamenta uma criança alheia quando a mãe natural está impossibilitada de fazê-lo. Geralmente esse encargo era dado às escravas que já tinham filhos.
Qual era a principal função das amas de leite nas famílias abastadas do século XIX?
As amas de leite tiveram um papel importante no âmbito simbólico, social e cultural da vida privada da sociedade patriarcal-escravocrata no Brasil no século XIX. Na Província do Grão-Pará era recorrente a contratação de amas de leite para amamentar e cuidar das crianças.
As senhoras da nobreza não amamentavam, pois esse ato não era bem visto pela sociedade, seus filhos eram criados e amamentados pelas camponesas, tinham uma vida simples e quando desmamados eram enviados para escolas longe de casa, sendo assim, deviam apenas respeito e tinham uma relação distante com suas genitoras.
Essas mulheres trabalhavam como amas de leite para mais de uma família ao mesmo tempo. Seus filhos, quando proibidos de morar com a mãe, eram vendidos, doados, abandonados na rua ou na Roda dos Expostos.
Contação de Histórias: A Preta do Leite, com Edna Aguiar. Preta do Leite era muito falante e saía cedinho para levar leite de porteira em porteira, de sítio em sítio. Às vezes, quando chegava ao fim da viagem o leite já estava coalhado de tanto que ela parava pra prosear e contar as novidades.
Como era a vida das crianças com amas de leite no século XIX?
A figura da ama de leite na vida das crianças brasileiras no século XIX era tão presente que nas famílias abastadas ela era considerada como se fossem da família, a presença constante das chamadas mães-pretas tinham suas histórias entrelaçadas com a vida das crianças que, apesar de não terem sido seus filhos legíti- ...
A amamentação de crianças brancas por escravas negras no Brasil foi possivelmente importada da Europa: era comum, na sociedade escravista, as mães darem seus filhos para que as amas negras às amamentassem, devido à disponibilidade de mulheres escravizadas que eram direcionadas para essa atividade - entre outros ...
O bebê tem fenilcetonúria, galactosemia ou outra doença metabólica. Se o bebê tiver fenilcetonúria, galactosemia ou outra doença metabólica que o impeça de digerir o leite corretamente não pode ser amamentado pela mãe e deve ingerir um leite sintético especial para a sua condição.
Além da amamentação, elas também eram responsáveis pelos cuidados gerais dos bebês, como alimentação, higiene e conforto. Implicações sociais e culturais: A prática de contratar amas de leite gerava uma complexa relação entre as famílias abastadas e as mulheres que amamentavam seus filhos.
Segundo a pediatra Rosa Maria Negri Alves, do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), um bebê só deve mamar do peito da sua própria mãe por conta do risco de transmissão de infecções. Ela ainda ressalta que a SBP também é totalmente contra a amamentação cruzada.
Escravizadas e libertas ganhadeiras. No Brasil escravista, surgiu no cenário urbano a figura dos escravizados de ganho, que prestavam serviços na cidade. Eles davam a maior parte do dinheiro que ganhavam para seus senhores, mas ficavam com uma parcela — um pouco do lucro ou o excedente das vendas.
Qual era a principal função das amas de leite nas famílias abastadas no século XIX?
Resposta: No século XIX, as amas de leite nas famílias abastadas tinham a função principal de amamentar e cuidar dos bebês, permitindo que as mães biológicas se concentrassem em outras atividades sociais e domésticas.
Os escravos de ganho, no contexto do Brasil colonial e do Império, eram escravos obrigados pelos seus senhores a realizar algum tipo de trabalho nas ruas, levando para casa ao fim do dia uma soma de dinheiro previamente estipulada.
Diferentemente da Europa, as crianças não eram enviadas para o campo, mas amamentadas debaixo do olhar da mãe e/ou da família, por uma escrava de leite, dentro das casas de engenho ou no meio urbano. O conforto que a escravidão oferecia dispensava o envio das crianças para lares estranhos.
Quais eram as funções desempenhadas pelas amas de leite no período escravocrata?
Ou seja, as amas-de-leite exerciam outras funções não ligadas apenas à amamentação e à educação infantil. O que nos faz relativizar o destaque das mesmas perante os demais cativos domésticos, como proposto por Gilberto Freyre.